PRECISAMOS FALAR SOBRE O COENTRO

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Ah, se o coentro fosse uma personalidade da TV, certamente seria o Galvão Bueno, conhecido por sua capacidade de despertar amor e ódio na mesma proporção. Não há quem diga “tanto faz” quando se trata do narrador esportivo. Logo decretam: detesto ou amo! Coentro, na culinária, estimula a mesma reação: de um lado, os apreciadores, do outro, os não simpatizantes. Pode haver mudanças de times, sem problemas, o tempo é capaz de tudo. Eu, era da turma do contra, hoje, acrescento – sem medo de ser feliz – o danadinho nas minhas modestas preparações.

Vou mais além: coentro, se tivesse um signo, certamente seria o de escorpião. Ele sabe o poder que tem e endossa o coro – “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”. É sedutor, o safado. Não gosta de meio termo, de gente em cima do muro, aprecia sentimentos bem definidos. À vezes, confiante demais e exigindo fidelidade dos seus pares, se gaba ao dizer que a moqueca de peixe só é o que é porque ele está lá, trazendo um sabor todo característico. Ainda dá expediente em caldinho de feijão, farofa e baião de dois, com alguns episódios, claro, de rejeição, sendo colocado de lado – motivo pelo qual ele frequenta sessões de terapia. Ser rejeitado é algo indigesto para o senhor Coentro. Odiado, tudo bem, amado, ótimo, mas a partir do momento que ele está no prato, não admite ser deslocado dali direto para o lixo. Quem se serviu que observasse antes sua presença. Decreta!

Como todo ser regido pelo signo de escorpião, ele não tolera traição\comparação. Em suas conversas com o terapeuta, sua queixa principal é sobre a troca – sem piedade – que as pessoas fazem dele por seu parente distante – a salsinha. Ouve com sangue nos olhos comentários do tipo “são tão parecidos, mas ela, a salsinha, é mais delicada” ou “Ai, que droga, confundi de novo e trouxe coentro no lugar da salsinha, vou ter que jogar fora”. Coentro fica fora de si quando as pessoas não conseguem diferencia-lo da salsinha na seção de hortaliças do mercado. Há quem tente se guiar pelas diferenças no formato das folhas. Há os que arrancam um pedacinho e vão pelo aroma ou sabor. Mas, o coentro certamente gritaria – “olha para os meus pés, porra, têm raiz aparente, robusta, cheia de personalidade. Já a salsinha, não tem, seu corpo finaliza em um cabinho liso e nada mais” Gente desatenta definitivamente não tem vez na vida dele!

E assim segue a angústia existencial do coentro: odiado, amado, renegado, confundido, traído…

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VOCÊ JÁ FOI UM MIOJO-OSTENTAÇÃO?

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Entro no mercado em um sábado à noite e dou de cara com cinco jovens que pareciam ter saído no elenco de Malhação: o skatista, o nerd, o descolado, o gordinho e o engraçadão. Eles estavam na seção de bebidas, claro, em um dilema que já foi meu e provavelmente seu: “O que vamos levar? Vodka, cerveja ou cachaça?”. Sabemos bem que o drama em si nem é o que levar, mas como ter dinheiro para bancar a compra. E o projeto do bando parecia audacioso, três dias em um sítio curtindo todas.

Passei por eles, fiz minhas compras, voltei, e eles ainda estavam lá. Faziam cálculos e mais cálculos em um dialeto cortês como a ocasião pedia: “Seu cu, cara, que a gente vai levar isso tudo de cerveja”, “Ah, ow, vai se fuder, pega a vodka mais barata, o lance é ficar doidão”. “Caralho, maluco, tem que levar um refrigerante também, para acabar com a ressaca”. “Boa, Cabeça!”.

Tudo isso dito com o peculiar tom de voz da adolescência, que oscila entre o agudo da cantora Tetê Espíndola e o grave do tenor Pavarotti. Após muita testosterona em ebulição, fim de pauta e fecha a conta: um ousado investimento de R$7.50 para cada um. A alegria reinava.

Mas, a melhor cena estava por vir. Um dos amigos, o mais gordinho, que saiu do bate-boca da bebida sem ser notado, surge de trás de um dos corredores todo imponente, cabeça erguida, ar soberano e caminha em direção ao grupo de amigos, em câmera lenta. Os colegas acompanham o seu retorno triunfal soltando um “Ca-ra-lho, ma-lu-co, Mar-cão é fo-da!” Marcão – no melhor estilo “hoje é dia de maldade” equilibrava em seu peito uma pilha de miojos – sabores variados (menos o de legumes) – e dois pacotes de biscoito recheado.

A cena volta ao ritmo normal, adolescentes alvoroçados correndo para a seção de macarrão instantâneo, recomeçam o falatório e as contas.

Balancei a cabeça como quem diz “já tive meus dias de miojo-ostentação” e segui para zoar o meu sábado noite afora com uma programação super ‘vida loka’: assistir Netflix.

DESCULPA, SENHOR, FOI UM ENGANO!

lobo-em-pele

Hortfruti lotado.
Filas enormes em todos os caixas.
A cada passo, dez pedidos de licença.
Não tinha nem mais carrinhos, só a cesta.
Corredores engarrafados por todo o lado.

Eu só queria comprar pimenta dedo de moça, cogumelos e peito de frango. Pensei que tivesse entrado no Mundial, mas pelo preço do azeite, tive certeza que não.
Qualquer seção estava disputadíssima, até a de frutas exóticas. Sim, lá existe isso.
Já com o pé na saída, vejo de longe, um senhor perdido no meio da multidão.
Cabelos brancos fartos e um bigode de respeito, parecido com Einstein.
Estava rodopiando no pouco espaço que lhe restava como se tudo à sua volta estivesse escrito em japonês.

Não resisto, vou até ele, desbravando aquele mar de gente.
Paro ao seu lado como quem não quer nada.
Ele estava com uma folha de caderno nas mãos, toda amassada.
Finalmente me vê e pede ajuda, como eu previa. Não posso ver pessoas em apuros.
Com uma mão na bengala e a outra no carrinho repetia meio atordoado: “eu nunca fui a um mercado! Não posso errar nos ingredientes. Não posso errar!”
Aponta na lista o que procura: espinafre, salsinha, beterraba, batata e músculo – único item que ele conseguiu pegar por ter uma etiqueta na embalagem com o nome gigante.

“Não posso errar, não posso errar!” Repetia como se aquilo fosse a missão da sua vida.Percebendo seu breve desespero, tratei de pegar todos os ingredientes rapidamente, enquanto ele me esperava insistindo no seu bordão: “Não posso errar nada!”

Compras finalizadas, o deixei na fila de idosos e estufei o peito toda orgulhosa. Aquela coisa da boa ação do dia, sabe?
Só que mais uma vez, a gentileza não gerou gentileza e sim um, “a SE-NHO-RA caiu do céu, muito obrigado”
Pensei, ah, de novo, não fode! É a segunda vez que sou superlegal com alguém que tem o dobro da minha idade + dez anos, e nem assim escapo do “SE-NHO-RA”. É caso para botox urgente!

Ainda contrariada, respiro bem fundo, olho nos olhos dele, olho para os itens no carrinho, retorno para os olhos dele, penso um pouco, e com um sorrisinho de canto de boca, satisfeita, eu digo: “Imagina, disponha”.
E vou embora.

Eu me enganei. Não era salsinha, era coentro.
(risos maquiavélicos)

#cozinhasemfiltro

 

AMOR DE FIM DE FEIRA

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Eulália – uma jovem de 30 anos e sorriso farto – encontrou seu príncipe de olhos azuis no lugar mais inesperado de sua vida: na barraca de ovos de uma feira livre, da zona sul carioca e no horário da xepa.

Apesar da sua animação inicial, estava certa de que jamais encontraria aquela beldade de novo. Homens charmosos não frequentam feiras.

Mas suas previsões estavam erradas e o bonitão apareceu nas semanas seguintes, para comprar mais ovos e exibir todo seu encanto: um metro e oitenta de altura, sorriso sedutor, cabelos negros, fala mansa e muita simpatia.

Lá pelo quarto ou quinto encontro casual – sempre na barraca de ovos – o rapaz quebrou o platonismo daquela relação e cumprimentou Eulália com uma piscadinha de olho. Com aquele olho azul.

O gesto foi o suficiente para Eulália entrar numa paixão fulminante e criar histórias inventadas em sua cabecinha. Para ela, os ovos, comprados pelo seu príncipe, eram para a sua avó, uma senhora rica, dona de um luxuoso apartamento no Flamengo. Ele, o único herdeiro.

Mas a vida de Eulália começou a declinar quando o seu príncipe simplesmente parou de ir à feira.

Enlouquecida, Eulália chegava com os feirantes, às quatro da manhã, e só saia quando não havia mais nenhuma alma. Nenhuma possibilidade do seu amado aparecer. Seguiu por meses assim, depois, ampliou suas buscas para outros bairros e vagava de feira em feira – em média vinte por dia, de domingo a domingo. Por onde passava, comprava ovos – seu amuleto da sorte.

Eulália estava um farrapo, magra, abatida, doente, em surto.
Perdeu o emprego, os amigos, se afastou da família, vendeu os móveis e ficou sem dinheiro.
Só lhe restou o apartamento vazio, cheio de ovos.
Não havia mais condições dela continuar. Então, um ano depois, finalmente ela desistiu de encontrar o seu grande amor e voltou para casa com a derradeira cartela de ovos.

Já no elevador, de volta para sua solidão, alguém entra no terceiro andar.
Quando ela levanta vagarosamente seu rosto entristecido, encontra um par de olhos azuis.
Sem pensar, o agarra de forma voraz e o arrasta para seu apartamento. Tranca as portas e em um ato de felicidade extrema, quebra centenas de ovos, atirando-os contra o chão, gargalhando, rodopiando pela sala, fora de si.
Abraça o seu homem dos olhos azuis e exige que eles se amem ali, naquele cenário caótico. Naquele chão todo amarelo, escorregadio.

E assim, Eulália teve a sua tão esperada noite de amor por horas seguidas, sem parar. Ardente. Enfraquecida de tanto prazer, sussurrou “que bom te encontrar, meu príncipe dos olhos azuis” e morreu em seguida.

Já havia concluído a sua missão.
Despediu-se desse mundo inebriada de amor, desejo, claras, gemas e muitos delírios.

A loucura de Eulália havia mudado para sempre a vida do senhor Geraldo, os olhos azuis do elevador, o porteiro do prédio. Um homem de meia idade, baixo, barrigudo e sem nenhuma formosura.
Mas naquele dia, sentiu-se um príncipe.

Jamais esqueceu Eulália.
Visita seu túmulo todos os anos e sempre a leva uma dúzia de ovos.

A POLÍTICA SEGUNDO DONA LOURDES, DA PADARIA

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Em uma prosa de quase uma hora com a Dona Lourdes, a atendente da padaria que me serviu um café com leite e um pão na chapa, tive acesso a um painel político todo particular.

Entre um cliente e uma passada de pano no balcão, ela sintetizou pontos importantes.

– Cabral é um safado que não precisava ter roubado tanto a ponto de levar o Rio de Janeiro, junto com outros políticos, para o buraco. Para a Dona Lourdes, ele poderia ter levado 50 reais por dia e ficaria bom para todo mundo, defendendo uma espécie de teto para ladroagem.

-Tiririca será nosso melhor candidato à presidência da República: é o único que não aparece em nenhum esquema de corrupção e foi considerado um bom funcionário.

-Romário é a sua mais nova decepção política: votou nele com a esperança de ver melhorias no atendimento às pessoas com deficiência e… nada. E agora, está envolvido em roubo também: “Não voto nele nunca mais”.

-Dilma não deveria ter saído: “No dia que ela perdeu o cargo, percebi que aquilo não foi justo. Até hoje não acharam dinheiro ilegal com ela”.

-Temer lhe causa repúdio, não consegue nem ouvir o que ele fala. Ainda mais depois dessa história da “aposentadoria caixão”. “É, menina, você se aposenta em um dia e no outro usa o dinheiro para comprar o caixão. Quem aguenta trabalhar pesado até os 70 anos e continuar vivo?”

-Eduardo Paes é um safado, e ela se gaba ao dizer que sabia disso bem antes de todo mundo. A prima da irmã do cunhado que trabalha numa firma que presta serviço para ele já havia alertado sobre o seu caráter: “Por isso não votei nele”.

-Nesse mesmo critério de avaliação política, Crivella é adorado por ela: “A cunhada de uma melhor amiga que trabalha como recepcionista de um lugar que ele frequenta disse que ele é a melhor pessoa do mundo. Votei nele e estou confiante”.

Infelizmente eu tenho que ir.
Dona Lourdes encerra o papo dizendo:

“Olha, menina, não sou estudada, mas adoro acompanhar esses assuntos de política.
Assisto tudo pela televisão. Pela ‘Globo Nísse’”.

QUEM ERA VOCÊ EM 2006?

2006

Ah, se a “Eu” de 26 anos visse a “Eu” de 36 anos, toda feliz com a chegada de dois livros enormes de receita, sua única aquisição da Black Friday.

Certamente, a minha versão mais jovem (de cabelos compridos, roupinhas coladinhas e morando com os pais) reviraria os olhos, empinaria o nariz e falaria toda cheia de si, quase que arrogante, que não vê o me-nor-sen-ti-do em perder tempo cozinhando e muito menos gastando dinheiro com livros dessa natureza. Para ela, comprar roupas seria muito mais inteligente. Ela acionaria seu deboche costumeiro e provaria, de forma bem teatral, cheia de ‘piadocas’, o quão é burrice não aproveitar a praticidade dos congelados. O quão o micro-ondas está aí para fazer tudo que o fogão faz. Ela usaria todo seu poder de persuasão, de uma escorpiana decidida, para convencer qualquer um ao seu redor. Quem iria contrariar aquele olhar fulminante seguido de um certeiro “estou errada?”.Ninguém!

Mas sinto informar, “Eu” Jovem, sim, você está errada! E hoje em dia, dez anos depois, você (cabelos curtos, morando no Rio e com roupas nem tão justinhas assim) é uma entusiasta da cozinha (da comida de verdade) e levanta bandeiras e mais bandeiras de repúdio aos congelados\industrializados. Até pipoca de micro-ondas, pasmem, você abriu mão.

Uma década de mudança, minha cara, e diversos caminhos percorridos te trouxeram aqui, empolgada com livros de receitas da Rita Lobo, aguenta essa! E quer saber? Ainda bem que não somos as mesmas, seria entediante ter o mesmo discurso de 2006. Mudar é vital! É o que nos move. Tanto é que pode ser que daqui a dez anos, a “eu-futura”, ame tudo que a “eu-passado-jovem” amou, e assim, refaça a amizade com a lasanha pronta. Tudo pode acontecer.

Só uma coisa não muda, lamento sociedade, o nosso deboche! Esse danadinho continua afiadíssimo, pronto para ser usado em qualquer deixa. Ele é tipo chassi de carro, vem de fábrica, se modificar é falsificar o modelo. “Eu ontem, hoje e amanhã”, assim, esse ser cheio de ironia.

A CAIXA DE CAXIAS

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Entro no mercado dois minutos antes do horário de encerramento.
Está quase vazio. Três ou quatro retardatários circulam no local.
Funcionários conversam em voz alta coisas íntimas, ignoram minha existência.

Agilizo minhas compras, nada demais: laranja, batata doce, cenoura, alho, cebola, salsinha, cebolinha e agrião. No caminho do caixa, pego uma embalagem de leite e uma baguete com queijo em cima.
Trancam as portas principais e desligam o ar condicionado
Não há nenhuma fresta aparente, nada, nem um ventinho.
Estou totalmente FE-CHA-DA no mercado. A fobia agradece.
O penúltimo cliente sai, sou oficialmente a última pessoa no recinto. Odeio mercado lotado, mas ironicamente senti falta de uma fila. Pequena.

Recolhem os últimos carrinhos, passam pano no chão e repõem mercadorias. Apagam as luzes de três dos sete corredores, quase uma expulsão.

As portas estão FE-CHA-DAS e o ar esquentando.

Apenas uma caixa atendendo pede para eu esperar.
As outras sete caixas contam dinheiro com sorriso no rosto.
Finalmente sou atendida. É compra pequena. Vai ser rápido.
Jamais encheria um carrinho àquela hora. Sou legal.
Boa noite, caixa, vamos lá.

Ela sorri, pega a batata doce e em seguida uma arma letal:
a ficha com os códigos de frutas, legumes, verduras e pães.
É novata. Não sabe de cor. É calma.
Desliza a unha, com esmalte rosa fluorescente descascando, em cada item da ficha va-ga-ro-sa-men-te.
De repente minhas compras, poucas, pareciam compras do mês, de uma família com doze pessoas.
E a caixa segue “isso aqui é laranja pêra ou lima?”
Cada código é um parto.

As portas estão FE-CHA-DAS e o ar esquentando.

E ela continua teclando número por número, em um processo de alfabetização numérica.
Mais dois corredores ficam às escuras, apenas duas partes ainda estão iluminadas.
As outras caixas aguardam ansiosas. É sexta! É festa!
Consigo imaginá-las cantando de mãos dadas “hoje, é um novo dia, de um novo tempo, que começou”

Dois itens finais e estamos livres!

A novata se pronuncia sabiamente “elas estão doidas para ir embora” e volta os olhos na lista: ce-nou-ra, ce-nou-ra, ce-nou-ra…
A cada sílaba pronunciada, me arrependo de ter comprado coisas que precisam pesar, de lista, de código, de consulta, de unha rosa fluorescente indo e voltando!

As portas estão FE-CHA-DAS e o ar esquentando

Último produto: “Isso aqui é pão de quê?”
Porque eu não peguei um pão francês, meu Deus, pra quê complicar e pegar pão com queijo em cima, caralho!
Mais uma olhadela na porra da ficha para identificar o dito cujo:
“É baguete integral?”
Isso! É! Super integral! Nunca houve nada tão integral nesta vida.
Enquanto ela tecla pacientemente diz: “Eu moro em  Duque de Caxias, só vou chegar em casa uma da manhã (são 21h45). Eu acordo às oito da manhã, para sair às dez e chegar aqui às duas da tarde.
Estranhamente, aquela declaração me comove e me constrange.
Cheguei lá em cima da hora de fechar por preguiça de sair do meu aconchego. Eu moro na esquina.
E ela lá, vivendo seus códigos e números no seu tempo antes de enfrentar sua jornada de volta para casa.

Acabou, alguém abre parte da porta, entra um ar, pago a conta, vou embora.

Resta apenas uma luz acesa.