PAULO, O SORRISO QUE DÁ CERTO

Paulo o padeiroEm tempos de “se nada der certo” lembrei-me de Paulo, o padeiro do hortifruti do Flamengo. Um rapaz jovem cheio de alegria e alto astral. Maneja as fornadas de pão francês, bolos, pão de queijo e broa de milho com a destreza de um artista circense.

Acho que é bem assim que ele se sente, um pop star no palco sendo admirado por uma legião de fãs. O palco é a padaria e a plateia acompanha sua apresentação pelo vidro transparente. Mas pode-se quebrar a quarta parede e conversar com o artista em questão. Ele adora, e está sempre de olho nas necessidades do seu cliente\público. Se você chega lá, no gargarejo, faltando 10 minutos para a próxima fornada de pão de queijo, ele logo avisa, feliz por ser o portador da boa notícia. É um honra para ele quando você leva para casa o pão fresquinho.

Quando juntam três ou quatro senhorinhas para perguntar sobre as guloseimas do dia, ele estufa o peito como se fosse o cantor Roberto Carlos prestes a beijar uma rosa e jogar para a multidão enlouquecida. Fala de suas criações com gosto, vontade, prazer. Sempre sorrindo. Orgulhoso. Nasceu para estar ali e fazer o que faz bem feito. O reflexo disso está no sabor do seu pão de queijo ma-ra-vi-lho-so e nos frequentes elogios de seus admiradores. É o tempo todo alguém dizendo “Esse menino é atencioso”, “Esse menino é uma graça”…  Não me espantará se um dia alguém pedir uma selfie com ele. Acharei justo e coerente.

Em uma das vezes que estive lá, segui o coro dos fanáticos e comentei com ele: “Dá gosto ver você trabalhar com esse sorriso, sabia¿” Ele respondeu como quem já está acostumado a dar entrevistas à imprensa sobre o seu ofício: “Gosto do que eu faço e não tenho nada para reclamar. A partir do momento que estou feliz aqui, preciso passar isso para os meus pães e para quem compra” E dá-lhe sorrisão.  E dá-lhe fornada de pão de queijo quentinho saindo. Comprei até mais do que precisava depois dessa resposta\lição.

Já sou do time de tietes do Paulo. Sempre que vou ao hortifruti, meu primeiro local de parada é na padaria, pelo pão delicioso e pela alegria deste jovem. Uma felicidade plena que destoa do resto do ambiente, cheio de pessoas “que deram certo” e que estão sempre com o semblante carregado, ansioso, inquieto. Pessoas que vagam pelos corredores sem contato visual, com a cabeça enfiada no celular de última geração curtindo as postagens de outras tantas pessoas “que deram certo”. Se levantassem um pouquinho só a cabeça, veriam o sorrisão do Paulo e mudariam um pouco essa rotulagem mesquinha sobre quem “deu ou não certo na vida”.

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