MINHA PÁSCOA… MEUS TRAUMAS…

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Meus olhos brilharam quando a minha avó materna chegou lá em casa, numa manhã de quinta-feira, para me perguntar de um jeito estranhamente dócil o que eu preferia como presente de páscoa: Ovo de chocolate ou caixa de bombom?Certeira, no auge dos meus seis anos, disse Ovo, claro!

Voltei saltitante para o meu quarto, sonhando com aquela embalagem de chocolate linda, oval e colorida, tal qual aparecia nos encartes das Lojas Americanas ou nas seções dos mercados, que nesta época do ano ficam apinhadas de ovos pendurados. Um túnel de alegria. O “Sonho de Valsa” era o desejo de qualquer criança dos anos oitenta.
Chega sábado à noite e minha mãe, ainda mantendo o lúdico, comunica que o coelhinho (minha avó) iria passar no dia seguinte conforme combinado.

Dormi tão feliz. Chegou o grande dia. Acordo, olho para o canto da minha cama e encontro uma sacola das Lojas Americanas. Quanta emoção para uma pessoinha. Sentei. Abri. E era um… “Peraí, mas o que é que isso aqui, mãeeeeee”. “É um ovo, minha filha, de número três”. Minha primeira decepção familiar. Minha primeira vez vivendo um “expectativa (ovo de chocolate número quinze)” versus “realidade (ovo de chocolate do tamanho de um ovo de galinha)”.

Ano seguinte, a mesma isca, minha avó aparece mais mansa do que o habitual para mais uma vez jogar em mim a responsabilidade de uma decisão: “Ovo de chocolate ou caixa de bombom, minha netinha?”- fazendo uso de uma entonação meio “Você aceita essa maça?”. Já mais experiente no assunto e ciente do que a minha avó entendia por “ovo de páscoa” escolhi a caixa de bombom. Feliz.

Eis que chega domingo, a cena meio que se repete, ao lado da minha cama estava a sacola das Lojas Americanas com uma embalagem retangular dentro e embrulhada com um papel cheio de coelhinhos. Que fofo!

Rasgo o pacote empolgada, vislumbrando os meus bombons preferidos. Pá. Um estranhamento: a caixa era vermelha. Não era nem “azul Nestlé” e nem “amarelo Garoto”. Abro desconfiada e me deparo com uns bombons apáticos. Sou ousada, como um, é amargo. “São bombons da Erlan, minha filha… Da Erlan…”. Minha páscoa… Meus traumas.

Ano seguinte… “Não quero nada, não, vovó, obrigada”.

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