MENOS “EU ME BASTO!” E MAIS “EU PRECISO DE VOCÊ!”

Sinais de uma Amizade Verdadeira

Foto reprodução Lição de Vida

Escrever e cozinhar padece da mesma necessidade: ambos precisam de alguém para validar sua existência.  O que adianta unir letras, sílabas, fonemas e frases para criar um texto que ninguém vai ler/comentar? O que adianta misturar alho, cebola e sal em um prato delicioso se ninguém, além de você, irá comer? Quem escreve/cozinha o faz unicamente para satisfazer o outro, que é melhor forma de chegar a sua própria satisfação. Nada mais empolgante para quem escreve/cozinha do que ver alguém reagindo à uma criação sua. Pensar assim não é  ir contra ao empoderamento, é apenas uma brecha para dizer que às vezes é preciso diminuir o “Eu me basto!” e deixar entrar, sem medo, o “Eu preciso de você (um outro ser)!”

Na cozinha, o retorno tem sido mais fácil, afinal, o amado/cobaia tem a missão de provar minhas receitas e dar um parecer.  Cada tentativa culinária, nessa minha jornada de comer comida de verdade (produzida em casa), é guiada pela pausa dramática que ocorre quando o amado está direcionando lentamente a colher à boca. Fico ali, com meu prato esfriando da minha frente, esperando a reação dele que, às vezes é uma dancinha esquisita com o corpo dizendo “está muito bom” e em outras, uma balançadinha de cabeça como quem diz “É, está meio esquisito, ou salgado, ou sem gosto, mas comestível”. Mesmo assim, é isso que faz o tempo gasto na cozinha valer a pena, não é mesmo?

Com as palavras, com a escrita, é o mesmo processo, tempero cada frase, provo um pouquinho, corrijo no sal dos adjetivos, mexo em um verbo aqui e acolá para entregar algo gustativo para você, caro leitor.  O preparo me deixa muito feliz, mas saber o que você sentiu ao petiscar essas letrinhas é a cereja do texto.

Postar um conto/crônica aqui sem saber da sua reação ou se ao menos você deu uma beliscada nas sílabas, é o mesmo que um chefe de cozinha preparar um prato para inúmeros convidados e ele, o prato, ficar na mesa, solitário, até estragar, sem nunca ter sido tocado, sem nunca ter tido a chance de ser elogiado ou criticado. De existir.

As palavras aqui estão precisando existir.

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