CUSTAVA ME ATENDER MAL?

garcom

No primeiro dia de estadia, na fria e chuvosa Bogotá, estranhamente eu senti saudades do péssimo atendimento dos garçons cariocas. Não era uma saudade propriamente dita, mas uma necessidade que evitaria a minha primeira sofrência gastronômica na capital colombiana.

Saí do Brasil com o discurso empoderado de provar comidas típicas sem nenhum preconceito, queria trabalhar um desapego gustativo. E lá estava eu, em um charmoso restaurante no centro de histórico de Bogotá, com friozinho de 10 graus, quando eu pedi o prato mais típico da região, já recomendado pelo taxista, pelo hotel e por alguns blogs, o “Ajiaco” (pronuncia-se arriaco).

Segundo o cardápio, era um frango com milho e à parte vinha creme de leite, alcaparras e abacate. Ao pedir, pensei, “frango com milho não tem como dar errado”. Tem, sim! E “errou feio, errou rude” – a iguaria se tratava de um mingau de frango desfiado, servido em uma cumbuca “enfeitada” com meia espiga de milho naufragada naquele caldo amarelo pálido. Em respeito à cultura, digo que, para o meu paladar, não estava bom, achei a mistura muita aguada.

Experiência vivida, uhuul, era só rejeitar o prato, pagar a conta e ir embora. Mas é aí que entra a “saudade dos garçons do Rio”, com eles, seria indiferença por indiferença e tudo certo, demorou, já é! Mas com o Javier, o garçom colombiano, não poderia ser assim, ele olhou nos meus olhos, sorriu mais de uma vez, se esforçou para entender meu portunhol fajuto, atendeu mais de sete mesas ao mesmo tempo (de locais e turistas) com a mesma simpatia. Arriscou um “obrigado, samba e Pelé”, só para ser ainda mais amistoso. Voltou à mesa – durante a minha terceira colherada – para saber o meu veredito que, diante da sua expressão apreensiva, só me restou engolir a seco e dizer “Que rico, que rico!” (desejando profundamente ser ignorada por ele, como acontece no Rio).

Custava me atender mal? Mas não, seguiu aberto para a vida, nasceu para atender e voltou pela quarta vez à mesa, com um ar meio chateado ao ver de longe que a cumbuca ainda estava cheia. Eu não poderia desapontar Javier, ele não, e rapidamente disse com uma felicidade meio canastrona “É para viagem”, e ele voltou a sorrir, agradar estava em seu DNA (no DNA do colombiano). Pagamos a conta, peguei o embrulho e fiz um último contato visual com ele, pensando “Se eu pudesse, deixava o “Ajiaco” e levava Javier, para viagem, para o Brasil”.

Eis o “Ajiaco” .

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foto reprodução google

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