LEITE DE AVEIA CASEIRO E A GRAVIDEZ

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Foto reprodução: um doce dia

Naquela manhã quente, no Rio de Janeiro, eu tive uma prévia do que é o tal do enjoo de gestante, mesmo não estando grávida, quando tive a brilhante ideia de fazer o leite de aveia caseiro.

O faniquito pela bebida surgiu depois que vi uma foto, em um blog, de uma garrafa de vidro antiga (dessas que os leiteiros entregavam nas casas, nos anos dourados), cheinha de leite de aveia branquinho. E o melhor, com uma receita super simples de fazer: bastava bater no liquidificador água, farelo de aveia e pronto. Essa magia e a foto ficaram na minha cabecinha que vive arquitetando formas de exilar os industrializados da vida, substituindo-os por sua versão caseira. Já é ganho de causa o molho de tomate, o cream-cheese e o leite de coco. Alimentos fresquinhos e livres dos conservantes.

Então, me sentindo a sabichona, parti para o leite de aveia logo de manhã cedo antes de comer qualquer coisa. Inventando medidas da minha cabeça, coloquei duas xícaras de aveia grossa integral com um litro de água no liquidificador, bati, coei e coloquei o leite em uma garrafinha de vidro antiga, igualzinha a da matéria. Estava lindo e eu já me sentia uma camponesa conectada com a mãe natureza.  Hora de provar: em uma caneca, misturei o leite de aveia com chocolate em pó e dei uma golada generosa que desceu estranhamente pela minha garganta voltando em forma de slogan “faça você mesmo o enjoo de grávida em casa”.

O troço estava gosmento, babento, grosso e com o chocolate em pó, que já não é docinho, ficou a treva em forma de liquido. O desastre fez esvair do meu imaginário a figura lendária do leiteiro. Esse homem simples que veste macacão jeans, camisa branca, chapéu de palha e que entrega nas casas, bem cedinho, o leite fresco em garrafas de vidro. Esse homem simpático e assunto recorrente na “piadoca” de família quando alguém diz “Ainda bem que meu filho não é a cara do leiteiro”. Esse homem jamais entregaria um leite tão ruim quanto o que eu acabara de ingerir.

Ainda com a gosma escorregando garganta abaixo, fui persistente e resolvi aquecer o leite e misturá-lo ao café, acreditando que quente aquilo poderia ficar menos traumático. Coloquei a caneca no micro-ondas e em apenas trinta segundos meu otimismo virou uma goma espessa e borbulhante que se espalhou por todo prato do eletrodoméstico, feito cola vagabunda\grudenta dos correios. Burrice a minha, né? É aveia, é amido e claro que engrossa quando é colocado em alta temperatura.

Arrasada, joguei tudo fora e restou apenas um sentimento: enjoo profundo. Fiquei o dia todo sem poder comer nada, sem sentir cheiro de comida e com a sensação de que a qualquer momento eu iria parir, pela boca, um bebê zumbi do walking dead. Acho que mais algumas horas me sentindo assim, eu vou começar a ter desejos e a ouvir das pessoas “Nossa, já está com cara de mãe”.

Esse enjoo vai passar, eu sei, e vou tentar a receita mais uma vez, seguindo as medidas certas (só para testar mesmo). Mas não agora, nem amanhã, talvez daqui a nove meses.

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