AS FRANCESAS TAMBÉM SÃO NOJENTAS

francesas

Foto reprodução google 

Foi naquela cozinha dos sonhos, na casa da minha sogra, no bairro da Tijuca, toda equipada com o que há de melhor em armários programados e eletrodomésticos modernos, em um espaço amplo e arejado, que eu entendi que a ditadura da beleza atinge até o mais asqueroso e temido dos insetos: a barata.

A sua versão cascuda, grande, envernizada, que bate as asas e te provoca como quem diz “vem cá, não esquece que além de tudo eu voo!”, causa repúdio imediato em homens ou mulheres, até mesmo as mais empoderadas. Atire o primeiro chinelo havaiana quem nunca saiu de casa ou se trancou em um cômodo até chegar alguém, por causa de uma barata sinistra passeando na parede da sala, hein?

Na presença dela, eu dou pinta, faço escândalo, perco a linha, me escondo debaixo da coberta em posição fetal e me transformo em um fracasso humano, mesmo sabendo que ela é mil vezes menor que eu. Pesquisas apontam que ter medo de barata está entre as principais fobias do ser humano. Até a morte perde para a barata, que, para quem não sabe, é capaz de sobreviver a uma guerra mundial. E onde entra a “ditadura da beleza” nessa história toda?Entra quando eu estava naquela cozinha linda que eu citei acima, limpa, bem cuidada, maravilhosa, mas que recebe a visita noturna daquelas baratas menores, mais claras, menos repulsivas e batizadas de “baratas francesinhas”. Que eu odeio igual.

Ora, só porque não são feias, robustas e escuras, tem passe livre para transitar nos armários e comidas em cima da mesa? Só porque alguém disse que elas ‘vêm lá da Europa’ eu não preciso mais me aterrorizar com a sua presença e tenho que me contentar com a justificativa dos donos da casa de “Ah, mas eram baratas francesinhas, né?”. Sinto informar, mas ambas, europeias ou não, são insetos nojentos que vivem no submundo da sujeira, do esgoto, do lixo e de toda podridão, causando o mesmo mal e asco que qualquer bicho nessas condições de vida. Não é justo condenar somente a ‘cascudona’ e liberar a ‘clarinha’. Isso é preconceito. O que as definem não é o seu corpo ou aparência, mas de onde vem e o que fazem.

Mesmo que a “gringa” pareça menos ofensiva e fácil de encarar, as duas merecem o mesmo spray letal e cartão de expulsão de casa. É contraditório, mas sim, estou defendendo as baratas sórdidas por não achar justo que elas carreguem sozinhas essa patente de nojentas. ‘Francesinha’ é o caralho, vai para vala do mesmo jeito e, na minha cozinha, as que “parlant en français” também não passarão.

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