A MINHA PRIMEIRA VEZ COM A COMIDA VEGANA

Brigadeiro sem manteiga e sem leite condensado coberto por grãos de chia\foto Cecília Vaz fotografia

Estávamos no saguão do teatro, onde acontecia um coquetel com comidinhas saudáveis, quando começamos um bate-papo informal sobre comida vegana, que eu até então desconhecia e, confesso, endossava o coro de “hum, deve ser tão sem gosto”. Mas o assunto seguiu firme com essa nova amiga que eu acabara de conhecer em virtude do evento. Ela me dizia entusiasmada que nem sabe o gosto de um refrigerante, adora chia e que ama muito todas as frutas. Quando está em alguma festa, por exemplo, pode até comer um mini salgado, por educação, mas ignora sem sacrifícios os docinhos pesados e deixa passar batido o bolo confeitado: “isso, para mim, é eca”, diz em tom de brincadeira e deboche.

A conversa segue produtiva, e ela me diz que nem na hora da fome repentina recorre aos biscoitinhos de embalagens vibrantes, prefere sorridente uma castanha de caju, pistache, amendoim ou castanha do Pará. Ouvi tudo com muita atenção enquanto ela se deliciava com um caldinho de feijão sem carne, acompanhado de uma farofa de beterraba. Ela, literalmente, lambia os lábios.

Esse assunto, o aroma tomando conta do ambiente e todo movimento em torno da Chef do buffet despertaram meu interesse e finalmente fiz a minha estreia na comida vegana. Com apenas uma colherada, camadas de preconceito se diluíram no meu paladar: que caldinho de feijão maravilhoso! Que sabor! Segui na minha iniciação degustativa e quis logo provar os doces

Lá vou eu, primeiro o brigadeiro – sem manteiga e sem leite condensado – e depois, o doce de coco fresco com canela -, não teve espaço para dúvidas. Olhei para a recém-colega como quem diz “você tinha razão! Estão sen-sa-cio-nais esses docinhos.” Peço desculpas ao brigadeiro vegano por ter escrito a crônica “Respeitem o Brigadeiro”, na qual eu defendia ser impossível comer um doce tão tradicional sem o leite condensado. Eu estava completamente errada.

Como é bom desconstruir imagens equivocadas que fazemos de algo antes mesmo de provar, sentir, verificar e vivenciar.

Fim de noite e fui me despedir dela – que me ensinou tanto, em tão pouco tempo e nem sabe disso. Na porta de saída nos olhamos e ela disse “Tchau, tia, depois a gente conversa mais, tá” e me envolveu em um abraço com todo seu corpo, no alto dos seus três aninhos. E foi embora, saltitando pela calçada, balançando seus cachinhos dourados e segurando seu guarda chuva rosa com lacinho.

Ela, minha recém-amiga, em seu terceiro copinho de caldinho de feijão vegano\ foto Cecília Vaz Fotografia


O Buffet Quero Bem foi a inspiração para essa crônica e o responsável pela minha primeira vez com a vegana. Se quiser sentir tudo isso, quebrar preconceitos e ter acesso a uma comida do bem, é só contrata-lo para o seu evento ou festa.
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