E A MEDALHA DE OURO VAI PARA… MCDONALD´S

Atleta australiano após ser eliminado da competição.  Fonte: O Globo/ Foto:reprodução facebook

Que ouro que nada! A alegria de alguns atletas tem sido uma loja do McDonald´s instalado no Parque Olímpico com comida liberada à vontade, até explodir, sem medo de ser feliz. Aqueles que ainda estão em competição, dizem, seguram a onda e comem uma vez ou outra os supersaudáveis lanches da casa do Sr. Ronald. Mas há quem coma hambúrguer como café da manhã mesmo ainda na disputa e esfrega na nossa cara seus corpos esculpidos. Quer dizer, depende da modalidade, né, para alguns esportistas, estar fortão e acima do peso é um diferencial positivo, por isso os medalhistas na categoria devorar hambúrguer são os levantadores de peso, que empilham todos os dias caixinhas e mais caixinhas dos sanduíches consumidos. E você ainda duvida que a indústria do alimento é uma das mais potentes do mundo, capaz de patrocinar um evento esportivo oferecendo em demasia açúcar, sódio e gordura aos esportistas¿ Business, apenas isso, foda-se a coerência.

Bate uma bad ver o seu atleta preferido comendo aquele turbilhão de ultraprocessados, enquanto você esta aí, levando marmitinha de salada para o trabalho. Há quem se defenda e diga, mas a coca-cola – outra patrocinadora do evento – eu não bebo, fico no suco. Que suco, bem? O da maquininha? Sorry, mas é o mesmo que beber o refrigerante, pertence à mesma família dos artificiais. A procura pelos sanduíches, na minha opinião, tem dois motivos: um, na saudade da comida de casa, é melhor encarar o sanduba já conhecido a experimentar comidas locais, como, sei lá, farofa. Dois, ninguém, nem mesmo os senhores da perseverança e da disciplina – que são os atletas – sabe se comportar diante da palavra: DE GRAÇA.  A gente fica feliz quando ganha camisa tosca de Festival de Teatro ou calendário clichê da agência bancária, imagina ganhar McDonald´s to-dos-os-dias.  Claro que até o final da competição não vão aguentar nem sentir o cheiro, mas enquanto ainda é novidade se acabam tipo urso devorando mel.

Sem querer fazer a ‘fina elegante e sincera’, eu iria preferir as opções de comida de verdade que também estão no Parque Olímpico. Hummm, acabei de fazer ‘a diferentona, a rainha do suco verde, a filha da Bela Gil, a senhora do açúcar mascavo’. Mas, juro, nem é sacrifício, é que hoje em dia, hambúrguer não faz a minha cabeça. Talvez se eu estivesse na casa dos vinte anos, visitando o Brasil e ganhando lanche do McDonald´s a perder de vista, aí, certamente estaria concedendo entrevistas com um sotaque beeeem de gringo dizendo, “Brasil é maravilho! O Rio é perfeito. I Love Brazil”, finalizando com o gesto universal do coraçãozinho com as mãos. Coraçãozinho este entupido de gordura. Mas é festa. É patrocinador. É de Graça. O que não mata engorda, ou os dois. #somostodosgordura.

Ah, a comida, sempre mobilizando as pessoas mesmo que para a direção  errada.

Atletas fazem fila em frente ao McDonald's da Vila Olímpica

Atletas e outros integrantes das delegações fazem fila em frente ao McDonald’s da Vila. Foto: Lucas Vettorazzo/Folhapress. Fonte site Uol.


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