MULHERES NA SESSÃO DE PILATES

Na sessão de Pitales, entre um ‘empurra uma barra daqui e estica o corpo acolá’, surge o assunto cozinhar e o seu efeito terapêutico. O gatilho começa com uma das fisioterapeutas mostrando no seu celular a foto de um prato preparado por ela: um frango africano – a-fri-ca-no, tá meu bem? Pronto, o ambiente ganhou a agitação de um galinheiro – com todo respeito – com a mulherada cacarejando ao mesmo tempo – com todo respeito- suas habilidades culinárias em meio aos exercícios e suas posições quase circenses.

Então, meu amigo, o cenário era um misto de Cirque du Soleil com o pregão da bolsa de valores, de onde se ouvia em uníssono técnicas para tirar baba de quiabo, fazer molho bechamel, grelhar frango, abrir massa de ravióli, preparar quiche; mulheres falando penduradas de cabeça para baixo nas barras, em pé alongando o corpo, deitadas em posições quase ginecológicas fazendo movimentos circulares com as pernas e abraçadas àquelas bolas de plástico gigantes – símbolo maior do Pilates. A cena era a comprovação cientifica de que mulheres são capazes de falar e fazer várias coisas ao mesmo tempo sem comprometer a atividade cerebral. E ainda tinha música de fundo orquestrando todos esses hormônios em ebulição gastronômica. Foi uma orgia culinária oral que durou mais de trinta minutos, doze receitas e dez modalidades de exercício.

Lá estava eu – tentando me encaixar em uma das posições do Pilates, no esquema: expectativa (linda e alongada) versus realidade (torta e desengonçada) – enquanto a fisioterapeuta, quase encerrando o assunto, falava de uma receita de cogumelos Paris salteados e servidos com um molho à base de limão. Entrei em transe gustativo imaginando o prato bem suculento à minha frente, saindo fumacinha, quando de repente sou trazida à realidade por uma voz “alinha a coluna e agora expira, inspira, ‘prende o xixi’ e conta dez de cada” (o exercício da vez). Sorrio cinicamente pensando: ‘mais fácil fazer massa caseira de espinafre recheada com ricota de cabra albina a coordenar esses quatro comandos ao mesmo tempo toda vez que ela pede’.

‘Pilateiros’ de plantão sabem o que eu estou falando e certamente uma ou duas etapas do “expira, inspira, prende o xixi e conta dez de cada” você está fingindo que faz. Eu sei! E assim o fiz enquanto empurrava o peso com as pernas: simulei contar cada movimento quando estava, na verdade, repassando a receita dos cogumelos: ‘uma colher de azeite (expira), duas xícaras de tomate (inspira), três…’

Ah, comida, sempre um estímulo.


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