O CARIOCA E O TRUQUE DA GALINHA MORTA 


“Ow, quando tu vai na casa de um mineiro não tem miséria não, maluco. Eles põem a porra toda da mesa para tu comer: ow, é bolo, é pão, é café, é leite, é presunto, é queijo, outro bolo, mais pão, não sei de onde sai tanto pão, meu irmão. Ow, só coisa boa e tudo aos montes para você atacar merrrrmo.

Ow, que ver um mineiro felixxx? Tu vai na casa dele e enche o rabo de comer sem cerimônia, na gulodice merrrmo, repetindo um prato atrás do outro e belixxxcando a batatinha cozida do frango, cê está me entendendo? O mineiro fica felizão, cara!

Vem cá! Que ver outro exemplo maneiro? Se tu tá na casa de um mineiro, seja pelo motivo que for, e tu fala que vai embora perto da hora do almoço, ele não deixa não, maluco. De jeito nenhum. Tu tem que sentar a bunda na cadeira e almoçar como se fosse membro da família, sabe como é? Ow, mineiro é um bicho da porra nessa parada de comida.

Agora, tu vai na casa de um carioca e fala que vai embora perto de servir o almoço. Na meixxxxma hora ele faxxx cara de galinha morta e te dá tchau, meu irmão. Nem água te oferece. Carioca é um bicho exxxcroto nesses lance, não tem essa de ser hoxxxpitaleiro, não. Óh! E eu posso falar tudo isso porque eu sou carioca, amo essa porra dessa cidade, mas, maluco, o carioca tinha que ser meio mineiro nesse negócio aí de fartura, sacou?”

Disse a taxista extremamente carioca enquanto me levava do bairro do Flamengo à Praça Paris e, sem saber que sou mineira (não abri a boca), fez essa síntese perfeita sobre a hospitalidade gastronômica mineira versus a carioca – naquele costume dos taxistas de puxar um assunto e seguir com ele sozinho, sem nenhuma interação, até o final do destino.


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