APRESENTO-LHES: O BEM-VELADO

Outro dia – enquanto escrevia o texto ‘O melhor amigo do homem não é o cachorro, é a comida’, levantei uma dúvida relacionada à dinâmica dos velórios nos Estados Unidos, visto que nos filmes americanos há sempre um banquete sendo servido aos familiares, amigos e parentes na casa do morto. Suspeitava que houvesse um mercado especializado nesse nicho, mas me intrigava a rapidez com que teriam que preparar tudo já que a morte não é (às vezes é) um compromisso marcado, não é mesmo?.

Um morador de Nova York me explicou que o enterro por lá só acontece dez dias depois do óbito, permitindo aos familiares e a empresa dos ‘quitutes de velório’ se prepararem com calma e precisão. Os convidados também podem levar algumas iguarias para o velório, em um ato de carinho com os entes queridos. Imagino que esse ritual americano de esperar dez dias (ou mais) para enterrar alguém tenha outras motivações mais nobres e respeitáveis. Mas aqui, neste blog, nos interessa a parte que envolve a comilança e o seu poder de unir, acalmar e confortar. Nada melhor que um pedacinho de bolo para desanuviar qualquer ambiente. E nada melhor que descobrir como as diversas culturas se comportam em relação à comida.

Mas o melhor está por vir! Em meio às minhas pesquisas sobre o assunto encontrei uma matéria bem bizarra, ainda sobre comida e velório, que merece a sua atenção e surpresa.  Existe aqui no Brasil – em São Paulo e Belo Horizonte – empresas especializadas em preparar velórios que são verdadeiros eventos sociais cercados de luxo e glamour, cristalizando a máxima de que: onde há gente rica assuando o nariz em nota de quinhentos dólares, há um mercado disposto a sugar suas fortunas com excentricidades que vão além da vida – literalmente.

Com um investimento que ultrapassa os 20 mil reais, a empresa de velórios ‘hight society’ oferece aluga para os seus clientes (a família do morto) um casarão antigo todo enfeitado com flores, com direito a banda de música com um set list de acordo com a ocasião, tapete persa, wi-fi e, é claro, um buffet com iguarias e bebidas altamente selecionados e à altura dos nobres convidados da festa – digo, velório (no México a morte também é celebrada com festa, mas de forma autêntica, cultural e simbólica, passando longe de qualquer ostentação).

E para arrematar essa cafonice mercadológica funesta, o convidado leva para casa uma lembrancinha desse dia ‘tão adorável’: um docinho batizado de ‘bem-velado’, que é uma versão mórbida do ‘bem-casado’, embrulhado em um papel roxo com um laço de fita preta.

Para que isso, gente? Quanta pobreza de alma!

**Fonte:jornal  O Globo  e  o blog  Um brasileiro vivendo nos EUA

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2 comentários sobre “APRESENTO-LHES: O BEM-VELADO

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