O DIA EM QUE A BELA GIL DISSE ‘NÃO’ PARA UMA RABANADA

Bela Gil

Foto/reprodução: google

Apesar de estarmos na época junina, com seu vasto repertório de gordices como pé-de-moleque, bolo de milho, canjica, maçã do amor, paçoca e outras mil e tantas calorias que nos deixam felizes, o bistrô que fica na esquina da minha casa está em outra onda.

Ontem, enquanto eu fazia a fina comprando pasta de damasco com queijo brie, percebi que ao alcance dos meus olhos tinha uma gritante e engordurada rabanada, deixando bem claro que ninguém perde a mão ou é amaldiçoado se prepará-la fora do Natal. Olhando a iguaria, enquanto a vendedora trazia o meu pedido, lembrei-me do dia em que a Bela Gil disse ‘não’ para uma rabanada feita pelo Felipe Bronze durante um programa especial de fim de ano do canal GNT.  Ela recusou o quitute como quem dispensa um prato só com beterrabas; de forma bem serena e sem alteração no semblante. Um controle que só quem é da dinastia quinoa tem.

Neste dia, me dei conta de que posso até desprezar um doce em prol da saúde, mas jamais farei isso com o selo Bela Gil de maturidade.  O ‘Rabanada? Não, obrigada’ viria acompanhado de um grito interno estourando todos os meus órgãos; de uma vontade de arrancar os cabelos fio a fio; de me dar três tapas na cara para substituir a vontade de comer o doce pela dor; de buscar conforto em um mantra repetido à exaustão: ‘doce faz mal e o açúcar vicia’, ou seja, esse ‘não’ equivaleria à meia hora de esteira pelo esforço mental de decidir entre ‘comer e ser feliz’ ou ‘não comer e ser saudável’. Nessa equação, amigo, a saúde sempre perde para felicidade. A frase ‘o importante é ser feliz’ está aí para esses casos urgentes e, se usada com moderação, é plenitude na certa.

Pensei: está frio no Rio de Janeiro – o que já é um acontecimento apoteótico – e ainda tem uma rabanada na minha frente, em pleno mês de junho, que vai cair super bem com um chá quentinho, isso só pode ser um sinal de felicidade! Estufei o peito e disse orgulhosa para a mocinha do Bistrô: ‘pega para mim duas rabanadas também, por favor’, e ela me devolve ‘pode acrescentar cobertura de chocolate, senhora’.  E olha que nem é Natal.


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