‘TRAZ PÃO’ É O NOVO ‘EU TE AMO’

Aviso aos futuros casados que o seu aplicativo de troca de mensagens conhecido como whatsapp irá mudar de função após o enlace. Sim, eu sei, vocês já ouviram inúmeros conselhos dos amigos, tias, primas, avós, compadres, da mulher da padaria, do trocador de ônibus, do morador de rua… Sobre o que é ser casado e partilhar uma vida em rotina.

A frase dita em tom de puro romance: ‘Não vejo a hora de dormir e acordar com você to-dos-os-dias’ seguida de um um amor diariamente perfeito, é um mantra distorcido e extremamente romantizadao que as novelas das nove vendem sobre o casamento. Nesses folhetins, os recém-casados sempre acordam belos, bem dispostos, penteados, maquiados e sem bafo. Amam-se intensamente até quando escovam dentes juntos cada um na sua pia (sempre tem duas pias).  Transam loucamente todos os dias em cima da mesa – quebrando todos os utensílios ali expostos sem a menor cerimônia. E seguem o périplo sexual transando em cima de todos os lugares da casa menos na cama. Até a lixeira da área de serviço causa um fetiche exótico e torna-se o apoio mais confortável para as cenas quentes. As mulheres estão sempre com calcinha de renda linda, mesmo quando pegas de surpresa pelo amado. Cadê aquelas calcinhas toscas da promoção ‘compre três pague duas?’

Uma adaptação de vida a dois invejável, perfeita e fora da realidade. Pelo amor do São Cupido, não estou fazendo aqui a amarga e transformando o ato de casar em uma faceta do terrorismo. Longe disso.  Estou evitando frustrações ao frisar (com todo carinho e chuvas de casadinhos) que amar em conta gotas, aos finais de semana, nos beijos de despedidas de ‘amanhã a gente se fala’ é diferente de amar nas noites de ronco; na luz acessa inesperadamente justo quando você está quase pegando no sono; no som alto quando você quer ler um livro; no amigo (dele ou dela) chato que você precisa receber; na família se metendo; e infinitas outras picuinhas que surgem depois da união. É claro que dá super certo, e vocês podem e devem, sim, transar no lustre, mas até acontecer aquele estalo sinalizando que houve a acomodação necessária para dois corpos ocuparem o mesmo espaço (casa), contrariando até a metafísica, demanda tempo, sabedoria e paciência. Depois disso é rumo ao selo Tarcísio Meira e Glória Menezes de durabilidade de casamento.

Adaptação encaminhada no ritmo real é hora também de desfrutar das novas descobertas para antigos hábitos, como é o caso do whatsapp que eu citei no início desse texto. Os emoticons de coraçõezinhos (❤️) amplamente usados na época de namoro não estarão mais sozinhos e virão sempre acompanhados do dilema diário: ‘o que vamos jantar hoje?’ seguidos dos emoticons 🍳🍲🍵🍰🍪🍱🍤🍩🍟.  E tem mais, nessa nova configuração de vida a dois – nas trocas de mensagens via celular – o ‘traz pão’ é o novo ‘eu te amo’.


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