O MELHOR AMIGO DO HOMEM NÃO É O CACHORRO, É A COMIDA

México

Foto/arquivo – família reunida no Cemitério Municipal de Oaxaca/México para celebrar ‘O Dia dos Mortos’

De onde viemos e para onde vamos eu não sei, mas que estamos nesse mundo para inventar desculpas para comer, isso é fato. Arrisco dizer que a gente só existe para isso: forrar o estômago na primeira oportunidade que seja. Se o dia estiver frio então, essa relação se potencializa.

Ainda bem, né? Imagina se as datas comemorativas fossem sustentadas apenas pelo encontro de pessoas, sem um prato de bacalhau sequer para confortar o paladar e a alma? Sem um pavê qualquer para minimizar as intrigas em família e dar voz à piada do tio ‘engraçadão’ do ‘é pavê ou pacumê?’.Tenho para mim que o quórum nas festas de aniversários, por exemplo, seria baixíssimo sem a presença dos salgadinhos e brigadeiros. Pense, as combinações são infinitas: cinema–pipoca, futebol-churrasco, início de namoro–jantar, reunião–cafezinho, pé na bunda–bolo, reencontro de amigos–petisco, praia–biscoito Globo, política-pizza… Não tem para onde correr, meu amigo, a nossa passagem nesse mundo é guiada pelo ato de comer, exceto em velório, único lugar que eu não vejo o brasileiro colocar em prática a equação ‘reunião de pessoas + comer alguma coisa’.

Diferente dos Estados Unidos, em que a família do defunto promove uns comes e bebes em casa pós-velório para receber os amigos. Pelo menos é assim que eu sempre vejo nos filmes e automaticamente me questiono: será que lá existe um buffet especializado nesse tipo de atendimento? Certamente não é a viúva que vai para cozinha, né? Alguém do país sabe me dizer?

No México, a expressão ‘até que a morte nos separe’ não se aplica quando o assunto é comida, algo que eu pude conferir de pertinho em viagem ao país há dois anos. Na celebração do ‘Dia dos Mortos’, os mexicanos – com muita alegria e festa- cobrem o túmulo do parente ‘homenageado’ com uma toalha de mesa e servem, ali mesmo, um banquete compartilhado com todos que o amavam. Transformam cemitério em espaço para piquenique, com direito a pratos, talheres, copos, bebidas e cadeiras. No cardápio, adivinha: a comida preferida do morto preparada com todo requinte que ele merece. Um elo realmente eterno.

Nossa, acaba de me ocorrer um pensamento: o melhor amigo do homem não é o cachorro, é a comida.


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