A MINHA FOME É UMA BARRAQUEIRA DESBOCADA

Foto/reprodução  www.finaerica.com

Ainda bem que estou amparada pela ciência quando me transformo em um demônio da Tazmânia por simplesmente estar com fome. Não há etiquetas, regras ou educação que controlem meu ser totalmente transtornado pela necessidade de ingerir um alimento.

Há quem mantenha a linha e saiba se contentar com uma barrinha de cereal seguido de um sorriso de canto de boca e movimentos comedidos.  Não é o meu caso. A minha fome não é Fit e nem delicada. A minha fome é uma barraqueira louca, descabelada, que grita com uma mão na cintura enquanto roda a outra por cima da cabeça como quem protesta ‘Oooolha aquiiiii’. A minha fome não é discreta, ela veste calça estampada de oncinha, com blusa floral fluorescente e casaco de plástico vermelho brilhante.  A minha fome não usa sandália rasteirinha, meu bem, ela vem de salto quinze modelo plataforma extravagante. A minha fome é das ruas, do gueto, do movimento. Não se cala por pouco.

Com fome, toda a minha civilidade se deteriora na frente de quem for quando transformo ‘vai tomar no cu’ em bom dia.  Já perdi as contas de quantas vezes respondi ‘seu cu que eu vou esperar mais trinta minutos aqui sem comer nada’, em lugares que exalam cordialidade. E sabe como é, cu é uma palavra que não cabe eufemismo.  Não dá para fazer a ‘egípcia’ depois de colocar o cu na roda.  Cu é cu e ponto. Tem que aguentar os olhares repressores e o apelido carinhoso de ‘olha a moça que não tira o cu da boca’, trocadilhos infames e pobres, eu sei, mas reais como nunca.

Mas, por todos os cus proferidos fora de hora, eu recorro à ciência – citada no início deste texto – para me desculpar por tudo que fiz e ainda vou fazer. Toda essa pomba gira que nos acompanha em momentos de fome é explicada pela baixa de serotonina no organismo. De acordo com um artigo publicado na Revista Superinteressante, a serotonina é um neurotransmissor – molécula que atua na comunicação entre os neurônios – e é importante para ajudar a regular o nosso comportamento. A falta dela afeta fortemente as regiões cerebrais responsáveis por controlar a raiva.  Ou seja, ‘cara feia para mim é fome’ faz todo sentido. E deve ser levado a serio.

Entenderam? Não? Ah, então foda-se. Ops…

A fome chegou! Tenho que ir.


#curta ~ http://www.facebook.com/cozinhasemfiltro  ~ crônicas culinárias –

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