DR NA COZINHA

DARCK BOX

Foto/Reprodução – www.851facebook.com

O dia começa com o e-mail da firma paralisado por conta de um problema no servidor, atrasando todas as demandas com prejudicial efeito aos clientes. O técnico em informática explica que é preciso esperar. Já falamos aqui como nós – geração ‘é para ontem’- reagimos mal ao conceito de esperar.Nessas horas, temos o mesmo ‘controle’ emocional de uma criança hiperativa, de seis anos, que se joga no chão das Lojas Americanas aos berros, deixando a mãe com vergonha até o rebento chegar à maioridade. É daí para mais, a sutileza de nossa reação.

Tento ser normal e foco na revisão de alguns textos e, entre uma vírgula e outra, sou abençoada por uma cólica, que mais parece ferro quente marcando uma vaca no meio da boiada. No combo vem a dor de cabeça, a irritabilidade e a incontrolável vontade de me enfiar debaixo da cama em posição fetal. Tanta coisa ao mesmo tempo que desenvolvi uma dislexia ocasional.  Não acerto uma palavra sequer. Resolvi me dar folga.

‘Tá, nos solidarizamos com o seu drama,mas, o que isso tem a ver com o ‘Cozinha sem Filtro’, cadê a culinária de transformação’? você aí – que por algum motivo leu as outras postagens- me pergunta com um ar inquisitório.

Claro, nesse dia caótico só me restava entrar na cozinha para produzir algo – sempre do zero – para exorcizar todos os encostos que grudaram em mim como se eu  fosse uma lotação. Sinto informar – ou não  porque gosto de mostrar aqui o lado nada Margarina da vida – mas não me deixei transformar pela culinária. Desejei, sim, qualquer congelado ou nuggets assassino. Na geladeira havia só ovos e batatas. Se tivesse animada fazia milagres com eles, mas só pensava em usá-los para matar alguém, se fosse possível.  Para coroar o dia que eu não deveria ter saído da cama, ‘jantei’ duas salsichas mal cozidas.  Enquanto as comia eu pensava: só por hoje escancaro aqui meu desprezo por você, cozinha querida. Juro. Estamos indo bem, é só uma instabilidade que ocorre em qualquer relacionamento.

Hoje não estou para juras de amor. Desculpa. Com a indiferença saltando aos olhos me recolhi no escuro do quarto. Nada como o escuro. Fui forçadamente dormir (tática para o dia de trevas acabar logo).  Antes, pensei em algum prato simples que eu poderia ter feito se não estivesse tudo tão fora dos eixos. Saudade da cozinha? Não! Era fome.


Primeira vez no Blog? Aproveite para navegar mais um pouco. #cozinhasemfiltro

 

 

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3 comentários sobre “DR NA COZINHA

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